MICHAEL JACKSON
PERFIL - MICHAEL JACKSON
Nome completo: Michael Joseph Jackson
Nasceu em: 29 de agosto de 1958, na cidade de Gary, Estado de Indiana (EUA)
Início da carreira musical: em 1962, quando tinha apenas 5 anos, ao lado dos irmãos: Jackie, Jermaine, Tito, Marlon e Michael, no grupo Jackson's Five
Carreira-solo: Michael começou a cantar sozinho em 1970, mas ainda em apresentações paralelas aos Jackson's Five
Do auge à decadência: "Thriller", álbum de 1981, foi o mais vendido da história, com 41 milhões de cópias. "Invisible", de 2001, vendeu apenas 2,1 milhões de exemplares.
Talvez não haja na história do showbizz mundial um caso de ascensão e queda tão grande quanto o que ocorre com a carreira de Michael Jackson há alguns anos. De "Rei do Pop", o cantor passou a ser considerado personalidade excêntrica, artista de temperamento inconstante e, recentemente, um fracasso de vendas. Isso sem mencionar os escândalos envolvendo Jackson e os menores que passavam temporadas em sua propriedade, o rancho Neverland.
Muitos especialistas em celebridades e até mesmo fãs descontentes com as excentricidades do cantor procuram respostas para explicar o que move Jackson atualmente. As constantes plásticas que alteraram profundamente as linhas de seu rosto, o endividamento de sua fortuna, gasta com frivolidades e caprichos e a queda na qualidade musical de seus trabalhos recentes são apenas uma parte da derrocada do astro. Para alguns, tudo isso tem raízes na infância pobre de Michael e na figura autoritária de seu pai. Mas a pergunta ainda persiste: qual é a razão para a estrela de Jackson cair tão vertiginosamente, já que talento não lhe falta?
A INFÂNCIA
Michael Jackson aos 13 anos
Joe Jackson era pai de nove crianças: Jackie, Tito, Marlon, Jermaine, Maureen, La Toya, Janet, Randy e Michael - uma família grande e pobre. Joseph trabalhava como operário e nas horas vagas tentava carreira musical em vários grupos, sem sucesso. No entanto, não demorou para ele notar a aptidão dos filhos para a música. Quando Michael tinha 5 anos, passou a integrar, junto com Jackie, Tito, Marlon, Jermaine o grupo Jackson's Five. O quinteto demorou alguns anos para conseguir espaço no meio musical, o que só aconteceu no final da década de 60, quando Barry Gordy, dono da gravadora Motown (especializada em divulgar artistas negros norte-americanos como Diana Ross, The Supremes, The Temptations e Stevie Wonder), deu espaço para a banda. Nessa epoca estoura o primeiro sucesso dos Jackson's Five, a canção "I want you back", de 1969. Aos 13 anos, os Jackson já colecionavam outros hits - "Got To Be There", Rockin Robin" e "Ben".
Michael se destacava dos irmãos facilmente. Era o mais afinado e tinha um talento natural para dançar. Mesmo sendo o caçula do grupo, era ele o líder dos Jackson's. Por este motivo, um ano depois, o cantor decidiu começar carreira-solo, paralelamente aos trabalhos com os irmãos. Começava aí a tentativa de Michael em fugir do controle exagerado do pai, que impedia os garotos de terem uma infância normal, pressionando e exigindo total dedicação à carreira artística. Acredita-se também que Joe batia nos filhos ou lhes impunha castigos exagerados.
Michael voa sozinho
A carreira-solo só começa a decolar em 1979, quando o cantor já havia conseguido derrubar a imagem de menino-prodígio que o acompanhara até a adolescência e, sustentando um estilo próprio, coloca o álbum Off The Wall (produzido por Quincy Jones) nas paradas de sucesso. A faixa-título, "Rock With You" e a canção "Don´t Stop 'Till You Get Enough" foram as principais responsáveis pela ascensão do disco. O álbum vendeu 11 milhões de cópias.
NOTA DE FALECIMENTO M.JACKSON
Michael Jackson faleceu aos 50 anos em Los Angeles, Califórnia, após ter sofrido uma parada cardíaca. O Rei do Pop foi levado às pressas para um hospital na tarde desta quinta-feira, 25, após paramédicos o encontrarem sem pulso em sua mansão, em Holmby Hills. Um oficial da cidade informou à rede de notícias BBC que a ligação para o 911 foi realizada às 12h21 (horário local); pouco mais de três minutos depois, a ambulância chegou ao local.
A morte do artista aconteceu menos de um mês antes do início da This Is It, temporada de 50 shows em Londres (a primeira apresentação aconteceria no próximo dia 13 de julho). A volta do cantor aos palcos aconteceria um ano depois de Jackson completar seu quinquagenário, em 29 de agosto de 2008.
Michael Joseph Jackson nasceu na cidade de Gary, nos Estados Unidos, e deu início à carreira musical aos 5 aos cinco anos de idade, no Jackson 5. Ao lado de quatro irmãos mais velhos (a família era composta por nove filhos), o cantor mirim emplacou sucessos como "I Want You Back", "ABC", "The Love You Save" e "I'll Be There" no topo da parada da Billboard entre 1969 e 1970. O grupo era empresariado pelo pai, Joe Walter.
Em 1972, aos 14 anos, Jackson gravou Got to Be There, seu primeiro disco solo, lançado pela Motown. Após mais três álbuns pela gravadora, Jackson foi contratado pela Epic, o que rendeu Off the Wall, seu primeiro trabalho sem vínculos com a família, lançado em 1979. Quatro músicas chegaram ao Top 10 da Billboard; duas delas, "Don't Stop 'til You Get Enough" e "Rock With You", alcançaram o primeiro lugar.
Thriller, o maior sucesso de toda sua carreira - e, segundo dados não oficiais, o disco mais vendido da história da música - saiu em 1982. O álbum ficou 37 semanas seguidas no topo da parada de vendas de discos norte-americana. A gravadora afirma que mais de 100 milhões de cópias foram adquiridas ao redor do mundo (o Livro dos Recordes marca 65 milhões de unidades).
O fenômeno causado pelo disco rendeu oito prêmios Grammy ao cantor (ele ganhou 13, no total, durante sua carreira). O vídeo da faixa-título foi um divisor de águas na indústria de clipes. À época, curta de 14 minutos chegou a ser transmitido duas vezes por hora na MTV.
Na lista de trabalhos de Jackson, vieram depois Bad (1987), Dangerous (1991), HIStory (1995, coletânea com 14 músicas novas) e Invincible (2001), seguidos depois por um hiato produtivo. Apenas recentemente o nome do cantor surgiu como produtor de uma música em parceria com o rapper Akon.
Antes de perder a evidência com sua música, Michael ganhou manchetes no mundo inteiro por estar supostamente envolvido com casos de pedofilia. Em 1993, a família de um garoto de 13 anos o acusou de ter abusado do garoto, fato que se repetiria dez anos depois, quando outro menino, da mesma idade, declarou ter sido vítima do cantor. Na justiça, Jackson foi inocentado de todas as acusações em ambos os casos.
O astro teve três passagens pelo Brasil, sendo a primeira em outubro de 1974, quando se apresentou com o Jackson 5 em São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre, Brasília e Belo Horizonte. Exatos 19 anos depois, Michael desembarcou para dois shows da turnê Dangerous Tour no estádio do Morumbi, em São Paulo, com a capacidade inteira ocupada (100 mil pessoas em cada dia).
Em 1996, o cantor voltou à terras tupiniquins, dessa vez com a missão de gravar o clipe do single "They Don't Care About Us", do álbum HIStory. Na produção, gravada por Spike Lee, Michael foi acompanhado pela percussão do grupo baiano Olodum em performance realizada nas ruas do pelourinho, em Salvador, na Bahia, e na favela Dona Marta, no Rio de Janeiro.
ARTISTAS COMENTAM MORTE DE MICHAEL JACKSON
"Ele fez a música ter vida! Ele me fez acreditar em mágica", escreveu Sean "Diddy" Combs; Rei do Pop sofreu parada cardíaca na tarde desta quinta, 25
Michael Jackson, em show em 1993, no Super BowlA notícia da morte de Michael Jackson nesta quinta, 25, se espalhou rápido pelo mundo virtual. Abaixo, o depoimento de alguns artistas sobre o ocorrido.
Madonna: "Não consigo parar de chorar por causa dessa triste notícia. Sempre admirei Michael Jackson. O mundo perdeu um dos melhores, mas sua música viverá para sempre! Mando meu coração aos seus três filhos e família. Deus abençoe." (em entrevista à People)
Quincy Jones: "Estou absolutamente devastado com essa trágica e inesperada notícia. Por Michael ter sido tirado de nós tão de repente, tão jovem, simplesmente não tenho palavras. Divindade uniu nossas almas em The Wiz e nos permitiu fazer o que éramos capazes durante os anos 80. Nesse dia, a música que criamos juntos em Off The Wall, Thriller e Bad está sendo tocada em todos os cantos do mundo e a razão para isso é porque ele era tudo... talento, graça, profissionalismo e dedicação. Ele era o artista consumado e suas contribuições e legado serão sentidos no mundo para sempre. Perdi meu irmãozinho hoje, e parte da minha alma foi com ele." (ao site da Rolling Stone EUA)
Justin Timberlake: "Perdemos um gênio e um verdadeiro embaixador não só do pop mas de toda a música. Ele foi uma inspiração para múltiplas gerações e irei sempre estimar os momentos que divide com ele no palco, todas as coisas que aprendi com ele sobre música e o tempo em que passamos juntos. Mando meu coração para sua família e queridos." (ao site da Rolling Stone EUA)
Eddie Van Halen: "Estou realmente chocado, assim como tenho certeza que o mundo está ao ouvir essa notícia. Tive o prazer de trabalhar com Michael em 'Beat It' em 1983 - uma das melhores memórias da minha carreira. Michael fará falta e que descanse em paz." (ao site da Rolling Stone EUA)
Lisa Marie Presley: "Estou muito triste e confusa com toda emoção possível. Estou com o coração partido por seus filhos, que eu sei eram tudo para ele, e por sua família. Essa é uma perda massiva em muitos níveis, me faltam as palavras." (ao site da Rolling Stone EUA)
Britney Spears: "Eu estava tão empolgada para ver seu show em Londres. Nós estaríamos em turnê pela Europa na mesma época e eu ia viajar para vê-lo. Ele foi uma inspiração durante toda minha vida e estou arrasada que ele se foi." (em entrevista à People)
M.I.A.: "MiCHAEL JACKSON. As primeiras palavras que eu falei. O futuro vai ser um saco!".
Lily Allen: "Michael Jackson está morto? Nem fudendo!".
John Mayer: "Perturbado no estúdio. RIP MJ. Acho que vamos estar em luto com sua perda e também com a perda de nós mesmos quando crianças ouvindo 'Thriller' no toca-discos. Realmente espero que ele seja lembrado como o cara do moonwalking de 83, 'dono' da MTV, impressionante, invencível Michael Jackson".
Lindsay Lohan: "r.i.p. Michael Jackson *meu amor e orações vão para a família Jackson... 'vocês não estão sozinhos' - mj".
Ashton Kutcher: "Rogo ao público que nos recusemos a consumir mídia que não respeite o anonimato dos filhos de Michael".
Sean "Diddy" Combs: "Michael Jackson me mostrou que você pode realmente ver o beat. Ele fez a música ter vida! Ele me fez acreditar em mágica. Sentirei falta dele!".
Slash: "Realmente tristes as notícias sobre Michael, ele era um talento e tanto". (ao site da Rolling Stone EUA)
Pete Wentz, do Fall Out Boy: "Nunca senti isso em minha vida. Se é verdade, que descanse em paz. A última lenda."
Ne-Yo: "Michael Jackson viverá para sempre através da coisa em que ele colocou sua vida inteira: sua música. Farei minha parte mantendo a melodia viva, mantendo a energia sempre em mudança, mas nunca morrendo. Vida longa, Michael Jackson." (ao site da Rolling Stone EUA)
John Landis, diretor do vídeo de "Thriller": "Ele teve uma vida problemática e complicada e, apesar de seu talento, ele continuou uma figura trágica. Minha esposa Deborah e eu teremos sempre muito afeto por ele." (ao site da Rolling Stone EUA)
Miley Cyrus: "Michael Jackson era minha inspiração. Amor e bênçãos."
Ludacris: "Se não fosse por Michael Jackson, eu não estaria onde estou e não seria quem sou hoje. Sua música e legado viverá para sempre. Orações para a família. Descanse em paz."
Hanson: "É difícil pensar na perda significante de um ícone como Michael Jackson. Toda sua carreira de 40 anos foi uma de nossas maiores inspirações. No começo de nossa carreira, ele e seus irmãos ajudaram a nos motivar a fazer música apesar de nossa idade. Ela era um talento inigualável que colocou a pilastra em como a música pode afetar nosso mundo."
MC Hammer: "Estarei de luto por meu amigo, irmão, mentor e inspiração. Ele deu a minha e a minha família esperança. Eu nunca seria eu sem ele"."
Wyclef Jean: "Não irei à tevelisão para falar disso, mas minha memória de Michael é de quando ele veio e me viu no estúdio. EU AMO MICHAEL."
Usher: "Essa perda me entristeceu profundamente, com o coração pesado escrevo essa nota. Que Deus te cubra, Michael. Nós iremos elevar seu nome em orações. Rezo por toda a família Jackson, em particular pela mãe de Michael e por seus fãs que o amavam tanto. Eu não seria o artista, performer e filantropo que sou hoje sem a influência de Michael. Tenho grande admiração e respeito por ele e sou muito agradecido porque tive a oportunidade de conhecer e me apresentar com um artista tão bom, ele transcendia cultura. Ele quebrou barreiras, mudou o formato das rádios. Com música, ele tornou possível que pessoas como Oprah Winfrey e Barack Obama impactassem o mundo mainstream. Seu legado é incomparável. Michael Jackson nunca será esquecido." (ao site da Rolling Stone EUA)
Ator e governador da Califórnia, Arnold Schwarzenegger: "Hoje, o mundo perdeu uma das mais influents e icônicas figuras da indústria musical. De suas performances com o Jackson 5 à estreia do "moonwalk" e Thriller, Michael foi um fenômeno pop que nunca parou de empurrar o desenvolvimento da criatividade. Apesar de haver sérias questões sobre sua vida pessoal, Michael foi indubitavelmente um grande artista e sua popularidade se espalhou por gerações e pelo globo. Maria e eu vamos nos juntar a todos os californianos para expressar nosso choque e tristeza por sua morte e mandamos nossos corações à família Jackson, aos filhos de Michael e a todos os fãs no mundo inteiro." (ao site da Rolling Stone EUA)
Mark Hoppus (Blink 182): "Primeiro álbum que eu comprei foi Thriller. Com o dinheiro do meu aniversário. No cassete. Para o meu walkman novinho em folha. Verdade. Descanse em paz".
Maria Rita: "Estou de luto. Não estou acreditando. Ainda".
Luciano Huck: "Que loucura. Estavamos com ingressos na mão para o show de MJ em Londres no próximo dia 23/09!!! (...) Bizarrices a parte, MJ irá fazer companhia a Jonh Lennon, Elvis e outros poucos que mudaram a história da música".
HELICÓPTERO PARTICULAR DE MICHAEL JACKSON
RETIRA CORPO DO CANTOR DO HOSPITAL
Aeronave teria seguido em direção ao Instituto Médico Legal de Los Angeles para iniciar autópsia do popstar
Michael Jackson, em 1984Por volta das 18h45 do horário de Los Angeles (22h45 no horário de Brasília), um helicóptero particular que pertencia a Michael Jackson fez a retirada do corpo do cantor do hospital UCLA Medical Center. Michael Jackson faleceu nesta quinta, 25, , após sofrer uma parada cardíaca.
Segundo a mídia local, o veículo seguiu em direção ao Instituto Médico Legal da cidade para que seja iniciada a autópsia do popstar. Em comunicado oficial divulgado pelo UCLA Medical Center, Michael morreu às 14h26 (horário local), aparentemente em decorrência de uma parada cardíaca. No entanto, as causas do falecimento ainda são desconhecidas até que a autópsia seja realizada. Na chegada do cantor ao hospital, sem sinais de respiração e pulso, médicos tentaram ressuscitá-lo por mais de uma hora, porém, sem sucesso.
Na porta e arredores do hospital, o número de fãs, jornalistas e autoridades (como policiais e bombeiros) é grande. De acordo com o portal, o comércio próximo à instituição está fechado.
Em comunicado oficial divulgado pelo UCLA Medical Center, Michael morreu às 14h26 (horário local), aparentemente em decorrência de uma parada cardíaca. No entanto, as causas do falecimento ainda são desconhecidas até que a autópsia seja realizada. Na chegada do cantor ao hospital, sem sinais de respiração e pulso, médicos tentaram ressuscitá-lo por mais de uma hora.
O ANJO E O DEMÔNIO DA INDÚSTRIA CULTURAL
Por Caetano Veloso
Michael Jackson planejava fazer 50 shows em Londres até fevereiro de 2010; a largada seria dada no próximo dia 13 de julhoA notícia da morte de Michael Jackson foi um grande abalo. Cheguei ao Teatro do Sesi de Porto Alegre e ao ser informado pensei imediatamente em meus filhos Zeca e Tom. Logo Daniel Jobim me veio à mente. Ele é conhecedor e devoto de Michael desde a infância. Moreno, meu filho mais velho, que é amigo de Daniel, também dedicou afeto intenso à figura desse gênio do nosso tempo. Mas são meus filhos menores que hoje se sentem mais atraídos por seu estilo.
Como todo mundo, acompanhei Michael desde que ele era pequeno. Como todo mundo, fiquei siderado pelo cantor e dançarino de "Off the Wall" e "Thriller". Como todo mundo, fiquei entre fascinado, enojado e apreensivo diante das transformações físicas por que ele passou. O que quer que tenha havido entre ele e aqueles meninos cujos pais o processaram, acho-o moralmente superior a esses pais.
Michael é o anjo e o demônio da indústria cultural. A serpente do seu paraíso e seu mártir purificador. Os talentos artísticos extraordinários frequentemente coincidem com vidas torturadas e enigmáticas. Michael era um desses talentos imensos. Dançando "Billie Jean" na festa da Motown ele foi sim tão grande quanto Fred Astaire: comentava o Travolta de Saturday Night Fever e o Bob Fosse do Pequeno Príncipe (este, uma influência fortíssima e evidente, que nunca vi mencionada). Vou entrar agora no palco pensando em Tom, Zeca, Moreno e Daniel - e, com um nó na garganta, no sentido da nossa atividade. Ele a representava em sua totalidade, fulgurantemente, tragicamente, divinamente.
FRANÇA COMPARA MICHAEL A MARILYN MONROE, JAMES DEAN E ELVIS PRESLEY
Efe, em Paris
O ministro da Cultura francês, Frédéric Mitterrand, expressou nesta sexta-feira (26) suas condolências pela morte de Michael Jackson e comparou as circunstâncias de sua morte, "em uma grande solidão", com às de Marilyn Monroe, James Dean e Elvis Presley.
"Todos temos um pouco de Michael Jackson', afirmou o recém nomeado ministro à rádio Europe 1, onde elogiou o 'gênio da música e do espetáculo". Frédéric destacou a "fascinação" que existe nos Estados Unidos pelos "destinos trágicos" e afirmou que o rei do pop terminou "de uma forma não muito diferente" de Marilyn, James Dean e Elvis.
Michael foi "uma contradição vivente", declarou o ministro, por sua "complexa relação com a negritude, uma grande dificuldade para assumir seu físico", ao mesmo tempo em que mostrava "uma fidelidade forte a sua raça negra".
A cantora canadense Céline Dion destacou em entrevista à mesma rádio que a morte de Jackson é "o resultado do estresse" que ele viveu. "Quando você estava com ele, sentia essa fragilidade, esse mal-estar que era maior do que parecia. Não é possível para um ser humano viver assim todos os dias", afirmou a cantora de Quebec.
Tarak Ben Anmar, que foi produtor e amigo de Michael, criticou na Europe 1 os "charlatões" que se aproveitaram do fato do cantor ser "hipocondríaco". "Está claro que os criminosos neste caso são os médicos que trataram dele ao longo de toda sua carreira e que destruíram seu rosto e lhe deram remédios para lhe tirar a dor" disse.
A VIDA NO REINO DA MAGIA
Por Gerri Hirshey
Michael Jackson já dominava o pop quando lançou Thriller, em dezembro de 1982. Três meses depois, o álbum chegou ao topo das paradas norte-americanas e tornou-se um dos mais vendidos da história da música – 25 anos se passaram e o disco ainda carrega esse título. Republicamos a reportagem, de fevereiro de 1983, em que o astro recebeu a Rolling Stone em sua casa, na Califórnia. Sozinho, ele se mostrou por inteiro – um artista viciado em palco e com os dois pés na fantasia
Michael Jackson em julho de 1984, em show da turnê Victory: cantor reinava no pop com o sucesso de Thriller Total de fotos: 10
É meio-dia e, em algum lugar de san fernando Valley, em Los Angeles, as persianas da frente de uma fileira de casas de condomínio estão abaixadas para se proteger do sol que brilha forte através da neblina. Do outro lado do portão de metal, o pátio está em silêncio, a não ser pelo barulho distante da água jorrando de uma fonte em sua base plástica. Então, ouve-se o choramingo arrepiante de uma típica menina da área. "Vó, não vou andar a pé um quarteirão inteiro. Está úmido. Meu cabelo vai virar Bombril." E o contraponto acalentador do incentivo maternal: "Seja boazinha, Jolie. Faça isso para a mamãe". Por todos os caminhos bem cuidados do pátio, poodles pulam ao redor de mulheres do tipo que têm poodles em coleiras cor-de-rosa.
"Não é o que você esperava, hein?"
Atrás de uma máscara de dedos finos, Michael Jackson solta risadinhas. Depois de acomodar seu visitante no piso intermediário da casa de condomínio de três andares, ele explica que essa residência é temporária, enquanto sua casa em Encino, Califórnia, está sendo reconstruída. O astro reconhece que esta é uma moradia improvável para um jovem príncipe do pop. Também é surpresa ver que Michael resolveu enfrentar esta entrevista sozinho. Ele lembra que não faz nada assim há mais de dois anos. E que, mesmo quando fazia, era sempre acompanhado por um séqüito de empresários, outros irmãos Jackson. Ele se esgueira, se esconde, fala com a ponta dos sapatos. Sabe-se que conduz sua vida privada com cuidado quase obsessivo, "igualzinho a um hemofílico que não pode se dar o luxo de sofrer um arranhão". A analogia é dele.
Compare isso às estatísticas, aos sucessos, e a conta não fecha. Ele é a figura de destaque no Jackson Five desde a escola primária. Em 1980, saiu do grupo para gravar seu próprio LP, Off the Wall, que se transformaria no álbum de maior vendagem no ano. Thriller, o novo trabalho, está no número 5 das paradas. E a lista de artistas que atualmente trabalham com ele - ou que querem trabalhar - inclui Paul McCartney, Quincy Jones, Steven Spielberg, Diana Ross, Queen e Jane Fonda. No estúdio, no palco, na TV e no cinema, Michael Jackson não tem problema nenhum de se expor. Em entrevistas, a história é outra.
"Você gosta de fazer isso?", Michael me pergunta. Há um tom de incredulidade em sua voz, como se estivesse fazendo a pergunta a um legista. Ele está largado em uma cadeira de sala de jantar, olhando para o nível inferior da sala de estar, que está cheia de estátuas. Algumas são graciosas, bronzes ao estilo greco-romano. Michael não consegue exatamente ficar quieto na cadeira. Está tão nervoso que engole um saco de batatinhas. Esse é um comportamento verdadeiramente estranho. Nenhum dos irmãos se lembra de ter visto qualquer coisa assemelhada a um salgadinho passar por seus lábios desde que se tornou vegetariano severo e discípulo dos alimentos saudáveis, há seis anos. Aliás, Katherine Jackson, sua mãe, fica preocupada porque o filho caçula parece sobreviver com pouco mais do que ar. Até onde ela sabe, ele simplesmente não se interessa por comida.
"Eu realmente odeio isto", dispara. Depois de acabar com as batatinhas, começa a dobrar e redobrar um recorte de jornal. "Fico muito mais à vontade no palco. Mas, bom, vamos lá." Ele sorri. Mais tarde, explica que "vamos lá" é o que seu guarda-costas sempre diz quando estão prestes a entrar em algum tumulto público. Também é uma frase que Michael escuta desde que aprendeu a amarrar os sapatos. "Vamos lá, garotos." Com essa frase, Joe Jackson reunia os filhos Jackie, Tito, Jermaine, Marlon e Michael. É o grito de guerra que os irmãos fazem antes de entrar no palco - e que Michael ouve há mais de três quartos de sua vida - primeiro com os Jackson Five, na Motown, e agora com os Jacksons, na Epic. Michael e os Jacksons venderam mais de 100 milhões de álbuns. Ela só tinha 11 anos em 1970, quando o primeiro sucesso do grupo, "I Want You Back", desbancou "Raindrops Keep Fallin' on My Head", de B.J. Thomas, do número 1 da parada.
Michael conta que percebeu que alguma coisa especial acontecia aos 5 anos, quando cantou "Climb Ev'ry Mountain" na escola e a casa veio abaixo. Naquela época, tanta precocidade assustou sua mãe. Mas, anos depois, acalmou corações e forrou cofres quando Off the Wall vendeu mais de 5 milhões de cópias nos Estados Unidos, mais 2 milhões no resto do mundo; um dos singles de sucesso tirados do álbum, "Don't Stop 'Til You Get Enough", valeu-lhe um Grammy. O LP rendeu quatro singles entre os dez mais vendidos, recorde para um artista solo.
Se a tensa indústria fonográfica ousasse apostar, o investimento mais inteligente seria feito em Michael Jackson. Nos últimos meses, ele tem trabalhado em nada menos do que três projetos: seu próprio recém-lançado Thriller; um álbum de Paul McCartney em confecção, que trará duas colaborações da dupla Jackson-McCartney, "Say, Say, Say" e "The Man"; e a narração e uma música para o álbum do filme E.T. - O Extraterrestre para a MCA, com o diretor Steven Spielberg e o produtor Quincy Jones. No tempo livre, escreveu e produziu o single "Muscles" para Diana Ross. Realmente, esse é um rapaz apressado que já olha além do álbum dos Jacksons que está agendado para o fim do ano. Existe a oportunidade de uma turnê no primeiro semestre do ano que vem. E, depois, há os filmes. Desde que fez o papel do espantalho em The Wiz (uma adaptação de O Mágico de Oz que estreou em 1978), seu quarto anda abarrotado de roteiros.
Aos 24 anos, michael Jackson tem um pé bem firme em cada lado dos 80. Seus sucessos de infância já se tornaram clássicos e seus ídolos da juventude se transformaram em parceiros. Michael tinha só 10 anos quando se mudou para a casa de Diana Ross em Hollywood. Agora ele a produz. Tinha 5 quando os Beatles fizeram sua transição; agora ele e McCartney brigam pela mesma garota em "The Girl Is Mine", single de Michael. Os amigos que ele tem no showbiz também atravessam gerações. Ele anda com outras crianças-prodígio, como Tatum O'Neal e Kristy McNichol, e com a ex-criança-prodígio Stevie Wonder. Faz fofoca a longa distância com Adam Ant e Liza Minnelli e bate papos íntimos com Fred Astaire. Jane Fonda o está ensinado a atuar. A amiga por correspondência Katharine Hepburn rompeu o hábito da vida toda de evitar o rock ao comparecer a um show dos Jacksons, em 1981, no Madison Square Garden, em Nova York.
Até mesmo E.T. seria cativado por um espírito tão gentil, de acordo com Steven Spielberg, que diz ter dito a Michael: "Se o E.T. não tivesse procurado Elliott, ele teria ido à sua casa". Spielberg também diz que não pensou em mais ninguém para narrar a saga de seu alienígena receoso. "Michael é um dos últimos inocentes vivos que têm controle completo sobre sua vida. Ele é uma estrela infantil cheia de emoção."
"Na primeira vez que assisti a E.T., me desmanchei", confidencia Jackson. "Na segunda vez, chorei como um louco. E daí, ao fazer a narração, senti como se estivesse lá com eles, atrás de uma árvore ou algo assim, observando tudo." O envolvimento emocional de Michael foi tão grande que Steven Spielberg encontrou seu narrador chorando no estúdio escuro quando chegou à parte em que o E.T. está morrendo. No final, Spielberg e o produtor Quincy Jones resolveram seguir em frente e deixar a voz de Michael falhar. Lutar contra aqueles sentimentos seria contraproducente - algo que Jones aprendera ao produzir Off the Wall.
Para sua própria proteção, Michael rodeou a si mesmo com uma série de comportas de contenção emocional, criando situações em que tudo bem deixar a enxurrada rolar. "Algumas circunstâncias exigem que fique verdadeiramente quieto", admite. "Mas danço todo domingo." Nesse dia, ele também jejua. Esse, a mãe confirma, é um ritual semanal que deixa o filho acabado, suando, rindo e chorando. Também é um ritual muito parecido com as apresentações de Michael. De fato, o peso da apresentação de palco dos Jacksons se apóia pesadamente sobre seus ombros cobertos de lantejoulas. Não há nada de experimental nos movimentos solo dele. Ajudado pelo impacto causado por roupas justinhas prateadas, parece que ele muda sua estrutura molecular como bem entende, passando de ângulos robotizados a curvas graciosas em um piscar de olhos. Ele ofega, arqueia e solta gritinhos. Sabe-se que tem mania de pular do palco e começar a escalar a estrutura do cenário.
Em casa, em seu quarto, ele dança até cair. Michael diz que as sessões de dança do domingo também são uma maneira eficiente de acalmar seu vício pelo palco quando não está em turnê. Às vezes, nesses períodos de descanso, algum outro artista o chama do meio do público. E, no longo trajeto da cadeira até o palco, os dois Michaels se confundem. "Fico lá sentado, pedindo: 'Por favor, não me chame, sou tímido demais'", explica. "Mas, quando chego lá, assumo o controle. Estar no palco é mágico. Não há nada igual. A gente sente a energia de todo mundo. Quando chega na hora de ir embora, não quero sair. Poderia ficar no palco para sempre. É a mesma sensação de quando faço um filme - você pode se transformar em outra pessoa. Adoro esquecer. E, muitas vezes, você esquece completamente. É igual a um piloto automático. Quer dizer... ufa!"
Durante as filmagens de The Wiz, ele se apegou tanto a seu personagem de Espantalho que a equipe responsável tinha que arrancá-lo do cenário e de dentro da fantasia. Ele estava em OZ, e nem um pouco a fim de voltar para mais um quarto de hotel. "Foi por isso que adorei fazer E.T. Eu estava lá de verdade. No dia seguinte, fiquei com muita saudade dele. Queria voltar para aquela floresta. Queria estar lá."
Infelizmente, ele continua na mesa da sala de jantar de sua casa. Mas, apesar da tensão visível, consegue se segurar firme. E fica todo animado com uma pergunta sobre seus animais de estimação. "Tenho dois cervos. Mr. Tibbs parece um carneiro; tem chifres. Tenho um lhama lindo, o Louie." Também gosta de araras e cracatuas, e tem uma ema gigante. "Fique aqui mesmo", ele pede, "vou lhe mostrar uma coisa". Michael sobe a escada até o quarto de dois em dois degraus. Apesar de saber que só estamos nós dois na casa, escuto quando ele fala com alguém. "Ah, você estava dormindo? Desculpe..." Segundos depois, uma jibóia de 2,5 metros é depositada em cima da mesa de jantar. O bicho se aproxima de mim em velocidade assustadora. "Esta aqui é Muscles.
E foi treinada para comer entrevistadores." Muscles, que chegou até o gravador e mostrou a língua em sinal de desdém, continua se aproximando da fonte mais próxima de sangue quente. Michael, preocupado, recolhe o réptil quando seu focinho arredondado encosta no meu pulso. Se é que a presença de um desconhecido causa algum efeito, provavelmente é deixar Muscles um pouco nervosa. Enrolada no torso do dono, sua força faz com que o antebraço de Michael se transforme em um baixo-relevo vívido de vasos sanguíneos. Para demonstrar a noção de equilíbrio da cobra, Michael a coloca em cima de um corrimão de 7 centímetros e meio de largura, onde o animal permanecerá, imóvel, durante a próxima hora, mais ou menos. "As cobras são muito mal compreendidas", solta. As cobras, sugiro, podem ser as mais antigas vítimas da divulgação de calúnias. Michael dá um tapa na mesa e solta uma risada. "Calúnias. Não é mesmo, Muscles?"
A cobra ergue a cabeça por um instante e volta a se acomodar no corrimão. Ficamos um pouco mais relaxados. "Sabe outra coisa que adoro?", Michael pergunta. "Adoro manequins." Sim, ele está falando do tipo que a gente vê usando biquíni na vitrine das lojas de Beverly Hills. Quando a casa nova dele estiver pronta, diz que terá um quarto sem mobília, só com uma mesa e um monte de manequins de loja. "Acho que quero trazê-los à vida. Gosto de imaginar que estou conversando com eles. Parece que estou acompanhado por amigos que nunca tive. Por ser artista, não dá para saber quem é seu amigo. E as pessoas olham para você de um jeito muito diferente, como uma estrela, não como o vizinho da casa ao lado."
Faz uma pausa e fica olhando para as estátuas da sala de estar. "É isso. Eu me rodeio de pessoas que desejo que sejam meus amigos. E posso fazer isso com manequins. Vou conversar com eles." Tudo isso não quer dizer que Michael não tenha amigos. Ao contrário, tem gente que alega ser amiga dele. E esse é exatamente o problema: com um número cada vez maior de pessoas batendo à sua porta, é necessário separar e categorizar. Michael nunca teve um colega de escola. Nem um vizinho para brincar na rua. Nem namorada firme. "Conheço gente no show business." A pessoa de mais destaque é Diana Ross, com quem ele compartilha seus problemas e "segredos mais profundos e mais obscuros". Mas, mesmo quando estão só os dois, seu mundo é circunscrito. "Eu e Liza [Minelli], por exemplo. Bom, eu a consideraria uma ótima amiga, mas amiga do show business. Ficamos lá conversando sobre um filme, e ela me fala de Judy Garland. E daí diz: 'Mostre para mim aquela coisa que você fez no ensaio'." Ele improvisa um passo e dança. "E eu digo: 'Mostre o seu'. Nós adoramos nos assistir."
Isso Michael não acha estranho nem inaceitável. A celebridade corre para se esconder quando transforma todos os seus gestos em uma performance. Alguns astros simplesmente enfiam na cabeça que têm de agüentar as coisas, independentemente de tudo o mais. Diana Ross entrou toda cheia de coragem em uma loja de sapatos de Manhattan com as três filhas e então comprou tênis para elas, apesar da multidão de 200 pessoas que se juntou na calçada. Michael consideraria isso intolerável. Ele só vai a um restaurante de Los Angeles, um lugar que oferece comida saudável, onde os donos o conhecem. Já para fazer compras, evita as lojas: manda um secretário ou assistente escolher roupas para ele. "A gente não tem paz em uma loja. Se não sabem seu nome, conhecem sua voz. Não dá para se esconder." E continua: "Ser atacado por uma multidão dói. Você se sente como espaguete entre mil mãos. As pessoas fazem você tropeçar, puxam seu cabelo. E você fica achando que, a qualquer momento, vai fraquejar".
Assim, ele precisa viajar com o sigilo velado da filha preciosa de um paxá. Qualquer tentativa de turismo é feita atrás de óculos escuros, limusines com vidros foscos e o terno austero de sarja de um guarda-costas. Até quando está em um quarto de hotel, ouve as mulheres berrando e correndo de um lado para o outro, como ratos dentro das paredes. "Mulheres na recepção, subindo as escadas. A gente ouve os seguranças tirando-as dos elevadores. Mas você fica no seu quarto e compõe uma música. E, quando se cansa disso, fala sozinho. Daí, coloca tudo para fora no palco. É assim que funciona." Não há discussão: isso não é normal. Mas e os manequins? Não seria assustador acordar no meio da noite e ver todos aqueles sorrisos sintéticos? "Ah, vou dar nomes a eles. Como as estátuas que você está vendo lá em baixo." Ele aponta para o pessoal da sala de estar. "Elas têm nome. É como se eu as conhecesse. Vou lá embaixo e converso com elas."
Um ritmo irrequieto sacode o pé dele, e o recorte de jornal há muito foi destruído. Michael pede desculpa, explica que não consegue ficar parado. Em um impulso, resolve me levar até a casa em construção. Apesar de os pais o terem forçado a aprender a dirigir há dois anos, Michael raramente pega o carro. Quando o faz, recusa-se a trafegar por vias expressas, faz desvios de uma hora para evitá-las. Aprendeu o caminho apenas para algumas zonas "seguras" - a casa dos irmãos, o restaurante de comida saudável e a igreja. Primeiro, Muscles precisa ser guardada. "Ela é um amor", Michael diz enquanto desenrosca a cobra do corrimão. "Gostaria de enrolá-la em você antes que vá embora." Ele não está fazendo piada, e Michael não vai forçar a questão. Mas medo de entrevistas pode ter raízes tão profundas quanto medo de cobras e, quando ele consentiu em falar, disse a Michael a mesma coisa que ele está me dizendo agora: "Pode confiar em mim. Não vai lhe fazer mal".
Entramos em um acordo. Muscles vai se esgueirando em volta da minha canela. A língua dela é seca e faz cócegas. Se bloquear seu medo primal, pode ficar imaginando que é o bigode de um gatinho. "Você realmente acredita que esse animal agora não vai lhe fazer mal, certo?", comenta Michael. "Mas existe um medo, imbuído pelo mundo, que faz você recuar." Depois de demonstrar seu ponto de vista com educação, Michael e Muscles desaparecem escada acima.
"Oi, michael." alguns recados assim, bem com jeito de menininha, estão rabiscados em uma placa no portão de aço da entrada de sua casa. Há uma cerca, cachorros e seguranças, mas as meninas continuam fazendo tocaia na frente, em carros e no meio de arbustos. Enquanto Michael conduz o passeio pela mansão estilo Tudor de dois pisos, fica claro que o quarto em que ele vai dormir é praticamente uma cela de monge na comparação com os aposentos que mandou construir para seus prazeres e os que reservou para as irmãs Janet e LaToya - elas calcularam cada detalhe de suas suítes cobertas de papel de parede. "As meninas gostam de exagero", explica, pulando por cima de uma serra elétrica. "Não me importo. Queria um lugar para dançar e para colocar meus livros."
Os aposentos que Michael inspeciona com mais cuidado são os reservados à recreação. "Vou colocar todas essas coisas aqui", adianta, "para nunca precisar sair e ir para o mundo lá fora." Entre as "coisas" estão uma sala de cinema com dois projetores profissionais e um alto-falante gigante. E depois tem uma sala de exercícios, outra para videogames e uma terceira com um sistema de vídeo com tela gigante. Além disso, há uma câmera enorme saindo do pátio dos fundos, que foi designada como "A Sala dos Piratas". Não será exatamente decorada, mas sim povoada. Mais manequins. Mas esse grupo vai responder.
Michael está usando a consultoria de um técnico da Disney, exatamente o profissional que criou as figuras de audio-animatronics para Piratas do Caribe, o brinquedo da Disneylândia. Se tudo der certo, ele vai instalar diversos bucaneiros, prostitutas e lobos do mar que olham feio e sacodem seus fuzis. "Não vai ter nenhum brinquedo", Michael esclarece. "Mas vai haver tiroteio entre piratas, canhões e pistolas. Eles vão ficar gritando uns com os outros e vou mandar instalar luzes, sons."
Piratas é um de seus brinquedos preferidos no Magic Kingdom. E a Disney é um dos poucos lugares públicos de que nem Michael Jackson consegue ficar longe. Às vezes ele pára em uma lojinha de mágicas e compra uma daquelas máscaras de Groucho Marx - óculos falsos com um nariz acoplado. Mas é melhor quando os funcionários o conduzem através de portas dos fundos e túneis. Atravessar o pátio do Castelo da Bela Adormecida durante o dia é loucura. "Tentei ir lá ontem à noite, mas estava fechado", ele recorda, com certa descrença.
Quando voltamos para o condomínio, Michael descobre que uma prova de "The Girl Is Mine" foi entregue. Isto é trabalho, ele precisa conferi-la antes do lançamento e vai para o escritório. Antes de a faixa terminar, já está apertando as teclas de um telefone. Entre as ligações para contadores e empresários, diz que toma todas as decisões, até a colocação da última lantejoula em suas roupas de palco. Diz que sabe ser um entrevistador implacável quando se trata de escolher empresários, músicos e promotores de shows. Ele avalia a performance desses profissionais com o rigor de um repórter investigativo, interrogando os irmãos, colegas artistas e até mesmo repórteres, em busca de comentários.
Apesar de realmente acreditar que seu talento vem de Deus, tem noção bem precisa sobre seu valor no mercado aberto. Ele nunca é abusado nem autoritário, mas aprecia ser respeitado. Não lhe pergunte, por exemplo, há quanto tempo ele está com uma empresa específica do show business. "Pergunte-me", ele corrige, "há quanto tempo a empresa está comigo."
Michael é o perfeito híbrido do pop para a década de 1980. Thriller é eclético o bastante para incluir cânticos africanos e um pouco de guitarra bem masculina, pelas mãos de Eddie Van Halen. Agora está sendo chamado de pop-soul pelos responsáveis da categorização de marketing. Michael diz que não se importa com o rótulo que queiram dar ao trabalho. A maneira como tudo convergiu para aquele resultado continua sendo um mistério para ele - assim como seu próprio processo criativo. "Acordo de um sonho e digo: 'Uau, vou colocar isto aqui no papel'", explica.
"A coisa toda é estranha. Você escuta as palavras, tudo está ali mesmo, na sua cara. E você diz para si mesmo: 'Sinto muito, não acabei de escrever isto. Já estava aí'. É por isso que detesto levar o crédito pelas músicas que compus. Sinto que foram feitas em algum lugar e que sou apenas o mensageiro que as traz para o mundo. Realmente acredito nisso. Amo o que faço. Sou feliz com o que faço. É uma fuga."
E Michael tem razão. Não existe definição melhor para um bom pop norte-americano bem intencionado. E poucos compreendem isso melhor do que Diana Ross. A proximidade entre ela e Michael começou quando Diana foi apresentada aos Jackson. "Não, eu não os descobri", ela se explica, contradizendo o mito. O chefe da Motown, Berry Gordy, já os tinha encontrado; ela simplesmente os apresentou em seu especial de televisão de 1971. "Não havia identificação entre Michael e eu", recorda. "Eu era mais velha e ele me idolatrava e queria ser como eu."
Aos 7 anos, Michael já era um monstro da dança, fazia a coreografia do grupo todo. As apresentações locais iam abrindo caminho para a abertura de shows em salas maiores de cidades distantes. Joe Jackson passava os fins de semana e as noites como chofer, road manager, empresário e técnico. Ele ensinou a Michael como ocupar o palco e segurar um microfone. As regras eram rígidas. As notas tinham que ser sempre altas, apesar de eles fazerem até cinco shows por noite: quem desrespeitasse, ia para a rua. Quando a Motown ligou, Joe levou os garotos para Detroit e Katherine ficou com o resto das crianças. Ela diz que nunca tinha se preocupado com os filhos até ir a um show e ouvir os gritos da platéia. "Às vezes, as meninas subiam no palco e iam para cima de Michael. Ele era tão pequeno e elas eram tão grandes..."
Mas crianças e animais podem, sim, enfiar o nariz nas reservas mais fechadas de Michael. É a assombração do ambiente do showbiz que transformou a passagem dele para a vida adulta em algo tão público e tão difícil. Ele agüentou, com paciência e bom humor, os boatos de sempre - de operações de mudança de sexo e acusações de paternidade de mulheres que nunca viu. Mas tudo isso claramente o afetou. "Billie Jean", de Thriller, é uma negação veemente de paternidade ("the kid is not my son" - a criança não é meu filho). Na realidade, nunca existiu uma pessoa especial. Michael diz que não está com pressa de entrar em nenhuma ligação romântica. "É a mesma coisa que eu disse a respeito de arrumar amigos", ele compara. "Com isso, é ainda mais difícil. Há tantas garotas ao meu redor, como é que vou saber?"
"Vim ver um amigo", avisa Michael, que tenta se esquivar educadamente de uma moça equipada com parafernália de vídeo de última geração. Ela bloqueia o corredor que conduz ao labirinto de camarins embaixo do L.A. Forum. "Posso dizer para meus telespectadores que Michael Jackson é fã do Queen?" "Sou fã de Freddie Mercury", ele dispara, passando por ela e entrando em uma sala comprida cheia com integrantes do Queen, esposas, roadies e amigos. Um homem corpulento com aparência de zagueiro de futebol americano está ajudando o vocalista Freddie Mercury a fazer exercícios de alongamento que levarão seus músculos desgastados pela estrada a agüentar o último show da turnê mais recente pelos Estados Unidos.
A banda está animada. Michael está acanhado, fica parado quietinho à porta até que Freddie o avista, levanta de um salto e o prende em um abraço. Freddie convidou Michael. Passou a semana toda ligando, principalmente para falar sobre a possibilidade de trabalharem juntos. E eles resolveram experimentar essa parceria no próximo álbum dos Jacksons. Apesar de não terem muita coisa em comum - Freddie comemorou um aniversário recente pendurando-se pelado em um lustre -, os dois ficaram amigos desde que Michael ouviu o material que o Queen tinha gravado para The Game e insistiu para que o single fosse "Another One Bites the Dust".
"Agora ele me escuta, certo, Freddie?"
"Certo, irmãozinho."
O zagueiro acena. Freddie faz um movimento com o cigarro na direção das travessas de frutas, aves e doces. "Você e os seus amigos podem ficar à vontade." Nosso acompanhante, um guarda-costas de rosto gentil e punhos enormes, consulta a segurança para saber sobre a localização dos assentos. No momento, o papo todo gira em volta do show business. De fofoca, para ser mais específico. Michael está questionando um dançarino que conhece a respeito da crise recente de um superastro. Ele quer saber qual é o problema. A resposta do dançarino vem em forma de mímica, com o dedo colocado na lateral do nariz. Michael reconhece que vai atrás desse tipo de fofoca. "Sempre quero saber o que faz bons artistas desmoronarem", ele diz. "Sempre tento descobrir. Porque simplesmente não consigo acreditar que é a mesma coisa que os pega uma vez depois da outra." Até agora, seus próprios vícios - o palco, a dança, os desenhos animados - estão livres de toxinas.
Algo está agindo sobre Michael Jackson agora, mas não é nenhuma substância química. Ele se agita como uma abelha presa dentro de um pote de geléia. É a sala em que estamos, ele explica. Tantas vezes já exercitou e aqueceu as cordas vocais aqui mesmo, enlouqueceu neste lugar, tremendo como algum cavalo de corrida pronto para disparar pela pista ao entrar em sua roupa coberta de lantejoulas. "Não agüento isto aqui", ele praticamente grita. "Não consigo ficar parado." Logo, precisa ser segurado, para seu próprio bem. Randy Jackson dispara para dentro da sala, segura o irmão com um abraço de urso e o ajuda a dissipar um pouco da energia com uma espécie de luta. Esta não é a mesma criatura que tentou se esconder atrás de uma batatinha. Agora Michael está lutando boxe com o guarda-costas, perguntando a cada minuto que horas são, até que o homem, misericordioso, bate a mão grande no ombro de seu protegido e solta um "Vamos lá".
Freddie Mercury e companhia já começaram a se deslocar pelo corredor estreito. Antes que alguém possa segurá-lo, Michael sai atrás deles, esbaldando-se no rugido grave do público lá fora, dando pulinhos para dar uma olhada em Freddie, que ergue o punho e se prepara para subir a escada que leva ao palco. "Aaaah, Freddie está com tudo", orgulha-se Michael. "Tenho inveja dele neste momento. Você nem sabe o quanto." O restante da banda sobe a escada e a cortina preta do palco se fecha. Michael dá meia-volta e se deixa ser conduzido para a escuridão da arena.
OVERDOSE DE ANALGÉSICO TERIA MATADO MICHAEL, DIZ SITE
Cantor exagerou na dose de Demerol, afirmou o site TMZ, que deu o furo da morte de Michael; doutor que teria administrado a injeção está sendo procurado pela polícia
Michael Jackson morreu após receber uma injeção com dose fatal de Demerol, teria dito um membro da família ao site de celebridades TMZ. O site foi o primeiro a noticiar a morte do cantor, na quinta, 25. Michael sofreu uma parada cardíaca e, às 14h26 locais (18h26 de Brasília), sucumbiu sob cuidados de médicos do Centro Médico da Universidade da Califórnia.
Ainda segundo o TMZ, o cantor recebia dose diária do narcótico sintético, que se assemelha à morfina. A última dose do analgésico foi administrada ontem, às 11h30 (15h30 de Brasília), cerca de uma hora antes de Michael ser apanhado por uma equipe de resgate em uma residência que alugava em Bel Air (Los Angeles, Califórnia).
A dosagem, desta vez, "foi excessiva", teria afirmado o parente não-identificado do músico. Uma autópsia prevista para esta sexta, 26, deve esclarecer se a overdose foi ou não a causa mortis de Michael.
O TMZ afirmou, ainda, que a polícia está à procura de um doutor, que viveria na casa do músico e teria administrado a dose fatal. Horas após o incidente, a força policial de Los Angeles teria apreendido uma BMW do médico, estacionada na casa de Michael.
O advogado e porta-voz da família Jackson, Brian Oxman, comentou à rede norte-americana CNN, na quinta, que uma grande quantidade de remédios pode ter provocado a morte do artista. A hipótese teria sido levantada pela própria família, disse Oxman.
As medicações prescritas faziam parte da preparação do cantor para os 50 shows que realizaria na O2 Arena, em Londres, a partir de 13 de julho. De acordo com o tabloide The Sun, Michael sentia muitas dores e faltou a alguns ensaios da turnê This Is It, que seria sua grande volta aos palcos - o último grande show do artista dos 750 milhões de discos vendidos foi em 2001, no Madison Square Garden, em Nova York, com presença de Britney Spears e Marlon Brando no palco.
'MINHA MEMÓRIA DE NOSSO TEMPO JUNTOS SERÃO FELIZES',
afirma Paul McCartney
Ex-Beatle divulgou comunicado sobre a morte do Rei do Pop
"Ele era um homem garoto massivamente talentoso com uma alma gentil", diz Macca sobre MichaelPaul McCartney prestou homenagem a Michael Jackson. Em seu site oficial., o ex-Beatle escreveu estar chocado com a morte do popstar e lamentou a perda. Michael Jackson faleceu na tarde da última quinta-feira, 25, vítima de uma parada cardíaca, em Los Angeles.
"É muito triste e chocante. Me sinto privilegiado por ter passado um tempo e trabalhado com Michael. Ele era um homem garoto massivamente talentoso com uma alma gentil. Sua música será lembrada para sempre e minha memórias de nosso tempo juntos serão felizes", escreveu Macca. "Mando minhas mais profundas condolências à mãe e à família dele e aos seus incontáveis fãs ao redor do mundo.
Os dois artistas trabalharam juntos em alguns momentos da carreira solo de Paul. A parceria aconteceu na década de 80, em faixas como "This Girl is Mine" (presente no álbum Thriller), "Say, Say, Say" e "The Man" (incluída no disco Pipes Of Piece, do ex-Beatle).
Porém, a relação amistosa foi abalada quando Michael comprou os direitos autorais de boa parte do catálogo de músicas dos Beatles (cerca de 200), até então pertencentes à ATV Music. O valor pago pelo Rei do Pop foi de aproximadamente US$ 47,500 milhões (mais de R$ 90 mi), em 1985, quantia que ultrapassou a oferecida por Macca.
Como dono das composições de John Lennon e McCartney, o popstar embolsava determinadas quantias de dinheiro a cada vez que uma das músicas era tocada no rádio ou era apresentada ao vivo por algum artista. No entanto, Michael vendeu parte do acervo à Sony, em 1995.
No começo de 2009, foi noticiada a intenção do popstar em deixar todos os direitos das músicas para Paul em seu testamento. Ainda não foram divulgadas novidades sobre o assunto.
CASAS DE APOSTA LONDRINAS COLOCAVAM EM XEQUE A TURNÊ DE MICHAEL JACKSON
Matéria da Rolling Stone EUA avaliou se o músico conseguiria encarar os 50 shows da turnê This Is It! horas antes do anúncio da morte
."Ele vai ou não vai?" Assim começa a matéria postada, por ironia do destino, horas antes do anúncio da morte de Michael Jackson, no site da Rolling Stone EUA. Para a nova edição da revista (com o Jonas Brothers na capa), o repórter Fred Goodman cavou fundo para avaliar se o cantor conseguiria ou não realizar os 50 shows da turnê This Is It!, na O2 Arena, em Londres. A maratona de concertos, com ingressos esgostados, começaria no dia 13 de julho e se estenderia pelos próximos nove meses.
O perfeccionismo de Michael já o teria levado a adiar as apresentações, que originalmente começariam em 8 de julho. Na Inglaterra, nas semanas anteriores à morte do cantor, na quinta, 25, após suposta overdose de um poderoso analgésico (ainda não houve confirmação oficial), as casas de aposta londrinas andavam agitadas. O palpite mais forte era o de que o artista cancelaria pelo menos alguns dos 50 shows.
No começo do mês, o próprio músico havia se manifestado contrário à maratona de shows, que achava exagerada. "Fui dormir sabendo que havia vendido 10 datas. Acordei com as notícias dizendo que eu estava agenciado para 50 apresentações", teria dito a fãs em Los Angeles, segundo o tablóide londrino The Sun. Seriam, no total, 750 mil assentos disponíveis até março.
Rumores davam conta que Jackson faltou a vários ensaios com o coreógrafo e diretor musical Kenny Ortega, também responsável pela franquia High School Music. O adiamento dos quatro primeiros concertos aconteceram por causa de dois fatores básicos: a complexidade técnica do show e o perfeccionismo do astro. Só para se ter uma ideia, ele estaria à procura de um coro de crianças que dominasse a linguagem de sinal - e fosse "exatamente equivalente" em termos de diversidade racial. A matéria não citou a suspeita de que o astro estaria com câncer de pele, ecoada na imprensa internacional desde o mês passado.
As companhias de seguro britânicas, em sua maioria, viram a empreitada como aposta de alto risco - e decidiram não pagar para ver. A AEG Live, empresa que persuadiu o músico de encarar a façanha dos 50 shows, acabou bancando € 348 milhões (R$ 948 mi) para garantir a turnê. Quantia, agora, que deve virar prejuízo.
Dívidas de um "milionário que gastava como bilionário" teriam levado o cantor a aceitar o desafio proposto pela AEG Live. Estipula-se que o rombo nas contas do cantor extrapolasse os R$ 320 milhões - e que Michael seria capaz de ganhar quase o dobro disso com os shows em Londres.
O ex-porta voz do artista, dr. Tohme Tohme, deu à RS EUA explicação de por que Jackson estaria passando por tamanho sacrifício - hipótese confirmada com a parada cardíaca, seguida de morte, do dia 25 de junho de 2009. "Ele está fazendo isso, em grande parte, pelos fãs. E está fazendo isso por seus filhos, e pelas crianças de todo mundo."
MICHAEL PODE TER DISCO PÓSTUMO
Cantor trabalhou em faixas inéditas ao lado de músicos como Will.i.am e Akon; "Este álbum precisa ser melhor do que Thriller", disse Ne-Yo .
Michael Jackson estava com tudo engatilhado para lançar um álbum com colaborações de grandes nomes do hip hop e do pop, informou o jornal britânico The Guardian. Com isso, fica a expectiva de um disco póstumo para incentivar o já reaquecido catálogo do músico. O site da Amazon, por exemplo, mantém seu top 12 preenchido por discos de estúdio e coletâneas do astro. Michael Jackson faleceu na tarde da última quinta-feira, 25, vítima de uma parada cardíaca, em Los Angeles.
Parcialmente gravado em Las Vegas, o disco tem composições de Akon, Ne-Yo e Will.i.am, do Black Eyed Peas. Jackson vinha trabalhando no disco há vários anos. O cantor apostava suas fichas no álbum para reaver o prestígio que, nos anos 80, lhe valeu o título de Rei do Pop.
Artista solo com maior poder de vendas - sua discografia vendeu em torno de 750 milhões de cópias ao longo de quase quatro décadas de carreira, afirmam fontes não oficiais -, Jackson foi abandonado pela gravadora Sony. De invencível, como em inglês sugere, Invencible, seu último álbum, de 2001, não teve nada: foi malhado pela crítica e vendeu "apenas" oito milhões de cópias mundo afora. Thriller, até hoje o maior sucesso da indústria fonográfica, vendeu no mínimo 50 milhões de cópias (embora estimativas apontem até 104 milhões de cópias) e ficou 37 semanas em primeiro lugar nas paradas norte-americanas.
Há dois anos, Akon falou sobre o disco ao site do Entertainment Weekly. "É incrível. Estamos tentando algo que ele nunca fez antes, e este é o desafio. Não há muito que Michael não tenha feito. Apenas esteja preparado."
O lançamento do álbum foi adiado por consecutivas vezes pelo músico que, aponta a imprensa internacional, dizia estar nervoso com a reação do público.
Em 2008, ao jornal britânico The Mirror, Ne-Yo (que já escreveu hits para Beyoncé) disse ter composto e enviado por e-mail diversas faixas para Jackson. "Este álbum precisa ser melhor do que Thriller. [Jackson] quer melodias matadoras. Ele me liga de volta para dizer, 'Eu realmente gosto da canção três; na quatro o gancho poderia mais ser mais forte. Na número um, mude o primeiro verso... Ok, tchau". Click. E aí eu refaço e ele gosta, 'ok, estão perfeitas. Mande-me mais."
"Michael está muito nervoso. (...) Ele sabe que as pessoas querem que ele falhe. É difícil quando todos os olhos recaem sobre ele. E há tanta competição de jovens por aí...", disse Ne-Yo.
Em 2007, Will.i.am afirmou que Jackson estava trás de novas tecnologias para o trabalho - em particular, redes sociais e download. O frontman do Black Eyed Peas, que já assinou hits para Justin Timberlake e 50 Cent, assegurou que o artista não tinha perdido poder de fogo. "Cara, ele ainda consegue cantar como um pássaro."
Em entrevista à Rolling Stone Brasil, em 2007, Will.i.am disse que já existiam seis músicas prontas, e chamou de "ouro" um possível hit, "I'm Still the King".
"Até hoje, Michael Jackson é o maior nome da indústria nesse formato em que se gravava disco, lançava, botava na rádio, filmava um clipe, disco de platina", disse Will.i.am ao repórter Bruno Natal. "Ninguém se compara, nem ele mesmo. Agora a indústria está de cabeça pra baixo. É a melhor hora para se lançar, porque não se está mais competindo com aquele sistema. Não tinha YouTube, MySpace, celulares, ringtones, nada disso! Os objetivos são diferentes, mais diversos. É possível comparar o impacto."
Jackson tentou lançar o álbum pelo selo Two Seas, do xeique Abdulla Bin Hamad Bin Isa Al-Khalifa, príncipe do Bahrein (arquipélago no Golfo Pérsico no qual o artista residia no momento). O músico fechou o contrato em abril de 2006. Mas, em novembro do ano passado, o negócio desembocou em um processo: o xeique alegou que Jackson não cumpriu o combinado de realizar dois novos álbuns, uma autobiografia e uma turnê.
Ian Halperin, biógrafo do cantor (o livro ainda não chegou ao mercado) também apontou a existência de mais material inédito de Jackson. Até 100 canções, feitas para os três filhos do músico, foram anunciadas por Halperin antes da morte do biografado, segundo o The Guardian. "Ele quer deixá-las para suas crianças, um legado bastante pessoal para elas. Fui avisado que [Jackson] não as liberaria agora." Halperin causou frisson na imprensa no final de 2008, ao afirmar que Jackson sofria de uma doença terminal no pulmão. Na época, a notícia foi desmentida por representantes do cantor.
AUTÓPSIA NÃO REVELA CAUSA DA PARADA CARDÍACA DE MICHAEL JACKSON
Em pronunciamento oficial, legista afirma que exames toxicológicos levarão de quatro a seis semanas para ficar prontos
O primeiro relatório da autópsia de Michael Jackson não revelou nenhuma novidade sobre a causa da morte do cantor. Em pronunciamento oficial, transmitido de Los Angeles pela TV norte-americana, o chefe legista Craig Harvey informou que serão necessários novos exames - entre eles, testes toxicológicos - para definir o que levou à parada cardíaca do músico. A previsão é que todos os testes sejam concluídos em um período de quatro a seis semanas.
Não foram encontrados traumas ou sinais de violência no corpo do cantor. Craig confirmou que Michael fazia uso de medicamentos, prescritos por seus médicos - mas nada foi dito a respeito da hipótese levantada pelo site de celebridades TMZ.com, o primeiro a noticiar a morte de Michael. A reportagem do site informa que um familiar do músico declarou que uma overdose de analgésicos (Demerol, mais especificamente) poderia ter causado a parada cardíaca.
Michael Jackson foi declarado morto às 18h26 (horário de Brasília) desta quinta, 25. Um chamado para o 911 foi registrado às 16h21 (12h21 em Los Angeles) (o áudio foi divulgado pelo TMZ). No momento da ligação, Michael não estava respirando, nem respondia às tentativas de ressuscitamento aplicadas por seu médico particular.
CORPO DE MICHAEL JACKSON SERÁ LEVADO A NEVERLAND
Rancho ficará aberto aos fãs na sexta, 3; funeral para a família acontecerá no domingo, 5, mas ainda não foi divulgado se enterro acontecerá no local
O corpo de Michael Jackson será levado ao rancho Neverland na quinta-feira, 2, informou a rede de notícias CNN. Os fãs poderão visitar o local na sexta, 3.
Um funeral privado, destinado a familiares e pessoas próximas ao cantor, será realizado no domingo, 5. Os repórteres da rede não souberam informar se o enterro também acontecerá em Neverland.
A propriedade foi adquirida por Jackson em 1987. O Rei do Pop não morava no local desde 2005, quando foi acusado pela segunda vez de abuso sexual contra menores. Em 2008, a imprensa internacional chegou a informar que Neverland seria vendido, por conta das inúmeras dívidas do cantor.
FAMÍLIA DISCUTE TRIBUTO AO MICHAEL
Por Mike Collett-White LONDRES (Reuters) - O produtor da planejada nova temporada de shows do cantor Michael Jackson deseja que a família do Rei do Pop organize um concerto de estrelas em homenagem a Michael. Ele disse ter discutido a ideia com os familiares.
Randy Phillips, executivo-chefe da AEG Live, também afirmou que o cantor parecia em forma, pronto para a temporada de shows, um dia antes da sua morte, ocorrida na quinta passada, por problemas cardíacos. Michael tinha 50 anos.
"Em algum momento o mundo precisa ver essa produção, e imagino se poderíamos fazer. Seria um tributo com a família e outras estrelas que amam Michael e que foram influenciadas por ele", afirmou Phillips a um canal de TV.
"O mundo precisa ver essa produção, e ela está pronta", declarou ele, se referindo ao espetáculo que Michael e a AEG Live criaram para os shows do cantor em Londres. O primeiro estava marcado para 13 de julho.
"Estamos discutindo isso com a família, e obviamente quanto mais cedo melhor."
Sobre as alegações de que Michael Jackson não estava bem de saúde e não deveria estar ensaiando para concertos, Phillips disse que havia conversado com a estrela um dia antes da sua morte.
"Ele me deu um abraço e cochichou no meu ouvido: 'Agora sei que posso fazer isso'."
Especialistas em mercado de seguros têm dito que a AEG Live, que tem devolvido os ingressos para as 750 mil pessoas que haviam comprado os seus lugares nos shows, estão enfrentado prejuízo considerável. Phillips reconheceu que a contratação de Jackson era um risco.
"Quando você está no negócio, você assume riscos toda hora, e no caso de Michael Jackson nós avaliamos que era um risco aceitável", disse.
"Tínhamos seguro e essas coisas. Provavelmente vamos sair financeiramente bem disso, mas no momento estamos tentando fazer o melhor."
Phillips descreveu o que viu no hospital de Los Angeles para onde Michael foi levado depois de passar mal na semana passada.
"Eles o trouxeram numa maca e o puseram num quarto de emergência", contou. "Eu estava sentado numa cadeira do lado de fora da sala de operação, e eles estavam em atividade, tentando ressuscitá-lo, trabalhando duro."
"Sentado lá, parecia uma eternidade, mas passou uma hora, uma hora e meia, até que a enfermeira chegasse e dissesse que não havia mais esperança."
Ele afirmou que o médico de Michael, Carlton Murray, foi uma das pessoas que disse aos filhos do cantor que ele havia morrido.
"O olhar de medo nos rostos deles, foi difícil. Vou lembrar disso pelo resto da minha vida. Mas parece que eles estão enfrentando tudo muito bem."
Phillips acrescentou que tentou convencer Michael a não contratar Murray como médico pessoal, por causa dos custos envolvidos.
"Michael me disse 'você não entende'. 'O meu corpo é a máquina que alimenta esse negócio, e eu preciso de cuidado pessoal, e eu quero um médico 24 horas por dia que nem o presidente Barack Obama, e esse é o meu médico.'
MICHAEL JACKSON VENDE MAIS QUE ELVIS E LENNON APÓS SUAS MORTES
Londres, 1 jul (EFE).- A venda de álbuns de Michael Jackson desde sua inesperada morte, na quinta-feira passada, supera a de Elvis Presley e John Lennon após suas mortes também repentinas, disse a cadeia de lojas britânica HMV.
Segundo Simon Fox, diretor-executivo da companhia, desde a trágica morte, as vendas de discos do "rei do pop" se multiplicaram por 80. Em vida, Michael vendeu mais de 750 milhões de álbuns.
A HMV, que tinha garantido um grande estoque de álbuns do cantor por causa da série de 50 apresentações que ele faria em Londres a partir de julho, vendeu todos os discos que tinha e agora espera por um novo fornecimento da Sony Music.
O álbum mais procurado pelos fãs é a coletânea "Number Ones", seguida de "Thriller", de 1983, que muitos consideram seu melhor disco e que é o mais vendido na história da música pop.
O terceiro disco mais vendido nos últimos dias é a também coletânea "King of Pop", lançado em agosto do ano passado por ocasião do 50º aniversário do cantor.
RELATOS DE FUNERAL LEVAM FÃS DE MICHAEL A NEVERLAND
Fãs de Michael Jackson estão se reunindo em frente ao rancho de Neverland, sua antiga residência no Estado americano da Califórnia, depois da divulgação de informações de que o corpo do cantor será velado no local.
Várias fontes alegam que o velório público foi marcado para sexta-feira e o velório particular, para o domingo.
Veículos e funcionários entram e saem da propriedade, localizada a mais de 240 quilômetros de Los Angeles. Familiares de Jackson se reuniram com a polícia e a Polícia Rodoviária da Califórnia para discutir os preparativos para o funeral.
Segundo informações ainda não confirmadas, o corpo de Michael Jackson poderá ser colocado em um caixão de vidro e transportado de Los Angeles para Neverland em uma "carruagem de contos de fadas".
Mas, de acordo com um porta-voz da Polícia Rodoviária da Califórnia, "ainda há detalhes pendentes".
Ainda não se sabe se o corpo de Michael Jackson poderá ser sepultado em Neverland, devido a questões legais. O cantor comprou o rancho em 1987 mas não vivia mais no local desde 2005.
O local poderia se transformar em uma espécie de alvo de peregrinação para turistas e fãs, como a casa de Elvis Presley, Graceland, em Memphis, no Estado do Tennessee.
Homenagem Randy Phillips, que promovia a série de shows de Michael Jackson faria em Londres em julho, afirmou que as apresentações poderão se transformar em show homenagem com a família do cantor.
O presidente da empresa AEG Live, organizadora da turnê This is It, disse a um canal de televisão britânico, o Sky News, que está discutindo com a família a possibilidade.
"Eu imaginaria que poderia ser feito como um tributo com a família, os irmãos se apresentando, algumas irmãs e as estrelas que foram influenciadas por ele", afirmou. "O mundo precisa ver esta produção." Phillips também negou que o cantor estava estressado devido aos shows e frágil demais para se apresentar.
Na terça-feira, a AEG Live, divulgou as fotos do último ensaio do artista, dias antes de sua morte. O fotógrafo Kevin Mazur, que já havia tirado fotos do artista diversas vezes na década de 80, disse à BBC que ele estava "feliz, energético e cheio de vida". "Tive um ataque de adrenalina. Foi como me senti da primeira vez que o fotografei, quando ele fez o moonwalk", disse Mazur.
Insônia De acordo com uma nutricionista que trabalhava com Michael Jackson, o cantor estava tendo problemas de insônia.
A enfermeira Cherylin Lee disse em entrevista ao canal de televisão CNN que ela negou várias vezes os pedidos do cantor para a aplicação de Diprivan, um sedativo muito forte aplicado na veia.
"Ele era uma pessoa que pedia por ajuda, desesperadamente, para conseguir dormir, para conseguir descansar", afirmou.
Foi alegado que Michael Jackson consumia analgésicos, sedativos e antidepressivos quando morreu.
Mas, de acordo com o ator Lou Ferrigno, que estrelou o seriado O Incrível Hulk e que estava supervisionando a rotina de exercícios de Jackson, o cantor de 50 anos estava totalmente concentrado em sua saúde antes dos concertos de Londres.
"Nunca vi (Michael Jackson) consumindo drogas", afirmou.
"Ele sempre falava sobre nutrição. Quando ele estava comigo, ele não estava diferente. Não estava drogado. Ele não estava alto. Ele não era distante ou agitado."
CENTENAS DE FÃS LOTAM TEATRO EM NOVA IORQUE PARA LEMBRAR MICHAEL JACKSON
Apollo Theater dedicou cerimônia pública ao cantor nesta terça (30).
Rei do pop morreu de parada cardíaca na última quinta-feira (25).
Centenas de fãs lembraram Michael Jackson nesta terça (30) com uma homenagem feita ao cantor pelo Apollo Theater, no Harlem, em Nova York, palco que viu a carreira do rei do pop e de seus irmãos decolar nos anos 60.
Durante horas, centenas de fãs de Michael, que morreu na quinta-feira (25) passada em Los Angeles aos 50 anos, se amontoaram diante do histórico teatro nova-iorquino para serem os primeiros a participar da cerimônia pública que o Apollo dedica ao ídolo.
"Estou aqui para prestar homenagem a Michael Jackson. Se ele pudesse ver toda essa gente que o adora reunida aqui, surgiria um grande sorriso", disse à Agência Efe Ellis Seepersad, um funcionário de banco de Nova York que se vestia como o cantor.
Como ocorreu com a morte de James Brown em 2006, a Fundação do Apollo Theater quis prestar homenagem a um dos grandes da música negra e abriu as portas do local aos fãs.
O Apollo, onde não pode haver mais de 600 pessoas ao mesmo tempo, permite a entrada aos poucos dos fãs, que, uma vez dentro do teatro, podem ouvir músicas e ver videoclipes de Michael.
"Michael significava muito para mim. Estou muito feliz por o Apollo ter decidido dedicar a ele essa linda homenagem", explicou Adrianne Anderson, uma nova-iorquina de 27 anos que levou ao teatro um boneco do ídolo.
Anderson lembrou emocionada também o episódio em que conheceu em 2001 a estrela durante uma sessão de autógrafos na Times Square, após ficar na fila durante toda a noite.
Como essa jovem, muitos dos presentes têm lembranças relacionadas à paixão por Michael Jackson, um amor que a maioria das pessoas que fazem fila para entrar no Apollo manifestam cantando os grandes sucessos do ídolo.
"A espera valeu a pena. Ficamos cantando e dançando. Michael era o maior e estou muito contente de estar aqui para lembrá-lo", disse Antoinette Gable, uma nova-iorquina de 43 anos que cantou "Billie Jean" para os presentes ouvirem.
Gable lembrou que sempre viu Michael como um ídolo, mas também como "um grande ser humano que queria ajudar pessoas de diferentes culturas e países".
A maioria dos fãs de Michael vestia camisas com o rosto do cantor, usava luvas brancas e levava cartazes com sua foto, assim como capas de discos de vinil do artista.
O reverendo Al Sharpton, ativista e líder da comunidade negra dos Estados Unidos, foi o encarregado de iniciar a celebração no interior do teatro, em que os Jackson 5 atuaram pela primeira vez, há mais de quatro décadas, e de onde saíram como estrelas.
SÍMBOLO
O Apollo se tornou o único lugar de peregrinação em Nova York para os seguidores de Michael, que pisou no local pela última vez em 2002, quando participou de um ato convidado pelo ex-presidente americano Bill Clinton.
A homenagem do Apollo acontece pouco após se saber, segundo a imprensa local, que o corpo de Michael Jackson será levado a Neverland na quinta-feira de manhã e que um funeral particular acontecerá no próximo domingo, após um ato aberto ao público que poderia acontecer já nesta sexta-feira.
Ingressos para shows de Michael Jackson viram relíquia para fãs
Produtora afirma que design dos tíquetes foi desenvolvido pelo artista.
Admiradores preferem ficar com bilhetes a receber o reembolso.
Os ingressos para a temporada de 50 shows que Michael Jackson faria em Londres, em julho, encantam os fãs: tridimensional, animado e colorido. Os preços variavam entre R$ 200 e R$ 1.100. Mas é difícil encontrar quem queira se desfazer.
“Michael é uma lenda!”, diz fã, empolgado com o tíquete. “Por isso prefiro ficar com essa lembrança dele”.
Segundo a produtora AEG Live, responsável pelos shows, o design dos ingressos foi desenvolvido pelo próprio astro. Além do reembolso, os fãs do artista terão a opção de receber como lembrança os bilhetes, que poderiam se transformar em objeto valioso para colecionadores, após a repentina morte na última quinta (25).
Mark Lester, ex-ator de filmes infantis e padrinho dos três filhos do cantor, contou em entrevista à agência Associated Press que o compadre era um pai carinhoso, dedicado e que jamais foi usuário de drogas.
Lester esteve pela última vez com Jackson há dez dias. “Ele estava radiante, saudável e muito feliz com a oportunidade de voltar aos palcos”.
A morte repentina faz com que Jackson continue sendo alvo dos tabloides sensacionalistas. A notícia mais bombástica desta terça-feira (20) foi publicada pelo Daily Star: uma entrevista exclusiva com um amigo do cantor, que afirma ser pai do filho mais novo do astro.
Al Malnik, de 76 anos, aparece em várias fotos ao lado de Jackson. Malnik, que já teve passagens pela polícia americana por desvio de divisas e sonegação de impostos, conta que há 7 anos teve um filho com uma mulher anônima a pedido do artista.
A criança seria Prince Michael II, o garoto que Jackson chacoalhou na janela de um hotel em Berlim, em 2002.
'THRILLER' JÁ FOI VISTO MAIS DE 8,5 MILHÕES DE VEZES APÓS MORTE DE MICHAEL JACKSON
Cálculo levou em conta todas as versões para o clássico clipe do astro.
Homenagens na web incluíram novo vídeo de prisioneiros das Filipinas.
Desde a morte de Michael Jackson, na quinta-feira (25), o clássico clipe "Thriller" já foi visto mais de 8,5 milhões de vezes na internet, segundo cálculos da Visible Measures, que contabiliza o tráfego na internet.
A informação foi divulgada nesta terça-feira (30) pela empresa, que considerou em sua contagem não só o clipe original, como também várias versões em homenagem ao Rei do Pop, incluindo os vídeos das danças protagonizadas pelos prisioneiros filipinos de Cebu.
Nas Filipinas, os detentos que já haviam virado sensação na web dançando "Thriller", fizeram no domingo (27) uma nova apresentação. Os 1.500 presidiários homenagearam o Rei do Pop ao som de sucessos como "We are the world" e "I'll be there".
Em 2007, os detentos estrelaram uma imitação do clipe de "Thriller", na qual um transexual fez o papel da namorada de Michael na gravação original.
Embora muitos dos clipes de Michael Jackson tenham se tornado populares ao longo da carreira do astro, "Thriller" (1983), que tem duração de 14 minutos e foi dirigido por John Landis, é o mais famoso deles.
Jackson sofria de insônia e insistia na prescrição de sedativos, diz enfermeira
Nutricionista Cherilyn Lee teme que popstar tenha tomado sedativo forte.
Advogado da família diz que ela não pode falar sobre algo que não viu.
Atormentado por uma insônia persistente, o cantor Michael Jackson implorou pela prescrição de sedativos, apesar dos avisos de que eles poderiam ser prejudiciais à sua saúde, relata a enfermeira Cherilyn Lee, em entrevista à agência de notícias Associated Press (AP). Ela trabalhou com o astro durante sua preparação para sua volta aos palcos.
Cherilyn Lee, que também é especializada em aconselhamento nutricional, relata que, repetidamente, rejeitou os pedidos de Jackson pela droga Diprivan, que é administrada por via intravenosa.
Quatro dias antes da morte do popstar, a enfermeira conta que recebeu um telefonema de um integrante da equipe do cantor, e teve receio de que ele tivesse consumido Diprivan ou outra droga para induzir o sono.
“Ele estava muito nervoso e disse: ‘Michael precisa vê-la imediatamente’. Eu perguntei, ‘o que há de errado?’. E podia ouvir Michael ao fundo dizendo, ‘um lado do meu corpo está quente o outro está frio’”, relata. “Eu, então, falei: ‘diga a ele que é preciso ir para um hospital. Não sei o que está acontecendo, mas ele precisa ir para um hospital logo’”.
“Naquele momento, eu sabia que alguém tinha dado a ele algo que atingiu o sistema nervoso central”, afirma. “Ele estava mal, chorava”.
Jackson não foi ao hospital, e morreu quatro dias depois. Necropsias foram realizadas, mas a causa da morte ainda não foi revelada.
“Eu não sei o que aconteceu lá. A única coisa que posso dizer é que ele foi inflexível sobre este medicamento”, diz Cherilyn Lee.
Após a morte de Jackson, surgiram suspeitas de que o rei do pop consumia analgésicos, sedativos e antidepressivos. “Ele era contra drogas recreativas. Era apenas uma pessoa que, desesperadamente, procurava ajuda para dormir um pouco”, ressalta.
Poucos meses antes de sua morte, Jackson insistiu com Lee sobre o Diprivan, também conhecido como Propofol, que é usado em salas de cirurgia para induzir a inconsciência. Segundo Lee, Jackson disse que o medicamento já tinha sido dado a ele, mas ela não pretende discutir as circunstâncias ou identificar o médico envolvido.
ADVOGADO DA FAMÍLIA
Londell McMillan, advogado de Joe e Katherine Jackson, comentou a entrevista de Lee. “Trata-se de um rumor. Pergunto-me por que alguém faria um comentário sobre algo que não tem conhecimento? Ela não viu o medicamento ser administrado”, fala.
Site usa Twitter para fazer homenagem a Michael Jackson
'Billie Tweets' sincroniza mensagens do microblog com clipe 'Billie Jean'.
Palavras 'aleatórias' são destacadas para reproduzir letra da música.
"Billie Tweets" é um site que mistura mensagens no Twitter e o clipe da música "Billie Jean" para prestar uma homenagem póstuma ao cantor Michael Jackson. O site funciona com um aplicativo que exibe mensagens aleatórias "pescadas" no Twitter, destacando palavras que entram em sincronia com o videoclipe da música, reproduzindo a letra.
Ao final do clipe, o internauta pode rever todos os "tweets" que formaram a letra e clicar em cada usuário para conferir quando a mensagem foi publicada originalmente. O site foi desenvolvido pela desenvolvedora de aplicativos "9astronauts".
RECADOS
Clique
na imagem abaixo
para voltar à página principal .
OBRIGADO; E VOLTE SEMPRE ;N!
|